Quem ganha a partida? Todos? Pesquisa!

Na pesquisa para o jogo Rota das Civilizações, lancei a seguinte pergunta:

“O que você acha da possibilidade de um jogo competitivo (não cooperativo) ter mais de um vencedor, talvez até mesmo todos os jogadores?”

Essa pergunta foi feita porque o desenvolvimento do jogo está sendo direcionado para uma maneira bem rara de decidir o vencedor: todos aqueles que cumprirem seus objetivos ganham.

Cheguei a esse sistema depois da seguinte reflexão.

Na vida real, geralmente nosso sucesso é definido por nossas próprias conquistas, não por como as nossas conquistas se comparam a outras. Ou seja, se eu sou rico, tenho uma bela casa, um belo carro e uma bela família (digamos), o que importa se meu vizinho também tem uma bela família, um belo carro e uma bela casa – que me importa se ele tem tudo o que eu tenho e mais 1 real, para “desempatar”?

É claro que existem muitas relações em que existem vencedores e perdedores. Se um jogo vai simular uma corrida eleitoral, teremos um lado que vencerá as eleições e o outro que perderá. Se um território específico está em jogo, alguém o conquista e alguém não conquista.

Porém, quando falamos de grandes “civilizações”, podemos muito bem imaginar que o que importa é que cada uma cumpra o seu “destino”, sem precisar necessariamente impedir que as outras não cumpram.

Mas deve ficar clara uma coisa: RotaCiv não está sendo desenvolvido como uma “paciência multijogadores” – como costumam ser chamados jogos com pouca ou nenhuma interação. Pelo contrário. O fato de que mais de um e mesmo todos os jogadores possam ganhar não quer dizer que isso vá ser uma tarefa fácil.

Para explicar melhor esse aspecto do jogo, volto a uma comparação com a realidade: por que, afinal, existem conflitos no mundo? Uma boa simplificação é: escassez de recursos. Então, se eu estou invadindo o seu território, não é porque eu quero atrapalhar você num jogo absurdo. É porque interessa a mim e a meu povo um recurso que só você tem. Talvez até a gente consiga entrar em um acordo pacífico para compartilhá-lo. Se isso não ocorrer, teremos as armas.

Meu interesse, portanto, é criar um jogo com conflitos internamente motivados. Eu não vou fazer nada para “bloquear” você só para você não ganhar. Não preciso fazer isso para que eu próprio ganhe.

Um fator positivo desse sistema é que ele trará boas oportunidades de trocas. Nos jogos em geral, se você me oferece uma madeira em troca de uma pedra, é possível que eu rejeite a troca mesmo que ela seja boa para mim, porque talvez eu a calcule como ainda melhor pra você. Neste jogo, há mais espaço para trocas generosas e menos valor em atitudes mesquinhas.

Nas respostas da pesquisa, felizmente apenas 17% das pessoas responderam “Acho ruim. Vamos desempatar isso nem que seja no par ou ímpar”. E mesmo essas pessoas podem talvez reconsiderar a opinião caso vejam como o jogo realmente funcionará.

Deixe aqui o seu pitaco! Preciso da sua ajuda!

E até a próxima terça!

6 respostas
  1. Alessandro
    Alessandro says:

    Conceito super interessante, Paulo!!
    Eu não respondi à pesquisa, mas adorei a idéia. O conceito de “conflitos internamente motivados”, e a possibilidade de “mais espaço para trocas generosas” fazem todo o sentido, especialmente em um jogo de civilização. (Eu já deixei de fazer várias trocas em jogos para não ajudar muito o oponente…)
    Essa idéia de um jogo não cooperativo ter mais de um vencedor é inédita? Nunca tinha pensado nisso, mas agora estou com vontade de ter um jogo assim! Sucesso!

    Responder
    • Paulo Santoro
      Paulo Santoro says:

      Obrigado, Alessandro! Eu pesquisei bastante e não encontrei nada exatamente assim. Mas não pretendo morrer abraçado com a novidade: vamos ver o que acontece ao longo dos testes. Fico contando com seus comentários e sugestões nas próximas postagens! Abraço!

      Responder
  2. MARIA DO CARMO ZANINI
    MARIA DO CARMO ZANINI says:

    Eu sou daquelas que preferem jogos nos quais não sou obrigada a bater de frente com os interesses de outro jogador. (É, eu sei. Sou esquisita.) Mas gosto muito de non zero-sum games. Não me importo de dividir os louros da vitória.

    Responder

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