Um jogo sem expansões?

Muitos jogos são planejados, desde o início, como produtos em que se enfatiza sua relação com o mercado, ou seja, são feitos para gerar modificações ou expansões continuamente. Rota das civilizações não está sendo desenvolvido conforme essa lógica e deverá ser publicado na íntegra de uma só vez.

Antes de mais nada, não tenho, em princípio, nada contra os jogos que são feitos como uma “base” a partir da qual serão produzidas expansões para venda posterior. Cada um tem um processo de desenvolvimento e eu já comprei e me divirto com diversos jogos expandidos.

Porém já testemunhei casos de jogos que “perderam a mão” com suas expansões, tornando-se mais “poluídos” mecanicamente, ou então desbalanceados. Para mim, isso ocorreu em jogos como Istambul, Kemet e até dois de meus maiores favoritos: The Manhattan Project e o próprio Civilization de 2010.

Mas não existe uma maneira “correta” de proceder. Cada criador de jogos está em um determinado contexto, tem suas preferências e é obrigado a fazer escolhas. Estou aqui refletindo sobre como e por que fiz essa escolha neste momento. Outros designers terão motivos para fazer escolhas diferentes!

Uma questão que me preocupa para fazer este jogo é um efeito que considero muito negativo, que é o que ocorre quando os jogadores são deixados para escolher os “módulos” que serão usados, gerando disputas desnecessárias e às vezes até inviabilizando uma partida. No meu modo de entender, os jogadores têm que abrir a caixa e começar a jogar. Pelo menos é isso que espero de Rota das Civilizações.

Rota das civilizações será, como muitos outros, um jogo bem difícil de balancear. Nesse processo de desenvolvimento, e nos futuros playtestes, tudo será feito para que todos os elementos fiquem bem harmonizados.

Eu poderia, por exemplo, fazer o jogo sem as religiões e depois vender a expansão “Religiões”… só que isso poderia facilmente resultar em um monstro de Frankenstein. A ideia é que o jogo seja bastante integrado. Por isso, os efeitos das religiões estão espalhados nos seus mais variados aspectos. Para fazer um jogo sem as religiões, muita coisa precisaria ser desenvolvida de forma diferente. Seria muito trabalho dedicado a gerar o “produto expansão”, que desviaria a atenção do desenvolvimento da essência do jogo. Para piorar, em meu ponto de vista, futuramente os jogadores seriam levados a debater antes de cada partida: “Vamos jogar com ou sem as religiões?”.

O propósito, por isso, é desenvolver uma experiência completa. Quem comprar a caixa, comprará o jogo todo, para sempre. Não haverá uma expansão para quinto jogador, não haverá uma expansão para novas civilizações (o jogo já virá com umas 20, provavelmente), não haverá uma expansão com diferentes módulos que o jogador poderá adicionar.

Dito isso, é claro que, depois que um jogo complexo é lançado, é possível aparecerem questões que não surgiram nos playtestes, como pequenos problemas de balanceamento. Isso poderia levar o jogo a passar por eventuais correções, anos depois. Se for esse o caso, a ideia é que seja criada uma segunda edição e, junto com ela, um pacote de alterações para quem tem a primeira. Mesmo os melhores já jogados chegaram a sofrer correções e pequenas modificações em edições posteriores.

Mas tudo isso, claro, já é pensar longe demais. :-)

Diga nos comentários o que você acha disso tudo! Fico sempre aguardando seus palpites sobre o jogo!

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2 respostas
  1. Alex
    Alex says:

    Entendo seu ponto de vista, mas acredito que criar e balancear um jogo complexo como este pode ser muito difícil, ainda mais nessa proposta de umas 20 civilizações. Então, desenvolver um jogo base com digamos metade disso, lançar e depois pensar uma expansão com outras 10 civilizações e algum balanceamento que fugiu ao playteste acho que não é algo ruim, talvez até acelerasse o processo de criação.

    Responder
    • Paulo Santoro
      Paulo Santoro says:

      Uma ótima consideração, Alex. Vou ver o que acontece ao longo do processo de playtestes e, depois, de produção do jogo. De todo modo, existe sempre a possibilidade de lançar apenas uma correção (talvez até gratuita), em vez de melhorar o balanceamento em uma expansão. Obrigado!

      Responder

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