A MULHER QUE RI

Hoje em dia, mesmo com os ritos de passagem em baixa, continuamos a sofrer no mínimo as ritualizações involuntárias do tempo e das circunstâncias. Queremos sempre resistir. Cabelos brancos despontam, e compramos videogames para os filhos que, sem coragem, não geramos. O espelho parece confuso: aquela barba no rosto, e o menino só tem 10 anos. Limpamos bem a mesa para o quebra-cabeças de 3.000 peças, jogando ao chão o memorando e os resultados da colonoscopia. Algumas vezes — que bom! — algumas vezes vencemos. Enxergamos o humor no absurdo, no arbitrário, no impossível. Rimos da fé e também da dúvida. Rimos do passado e das preocupações com o futuro. Rimos, e a brincadeira se faz à nossa volta, num carrossel de barcos ciscos potes tarifas rochedos marmitas prateleiras olerites abacates canivetes sepulturas valentias…*

Com direção de Yara de Novaes, A mulher que ri estreou em 2008 no Teatro Alfa em São Paulo e teve diversas temporadas e participações em festivais, com apresentações até 2013.

O elenco foi formado por Eloisa Elena, Fernando Alves Pinto e Plínio Soares.

O texto teve inspiração inicial no conto húngaro “Sete krajcar”, de Moricz Sigmond, que mostrava a relação entre uma mulher pobre e seu pequeno filho. A recriação para Teatro introduziu novos contextos e personagens para dar vida a este espetáculo de descobertas e memórias.

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* Texto de Paulo Santoro para o programa da peça. 

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