DETERRENCE 2X62 – 2015

O real começo desta história está nesta página. Lá falo da criação e do lançamento do Deterrence.

A verdade é que, embora eu tenha gostado do resultado do Deterrence, eu ainda tinha uma sensação estranha sobre ele. Era como se faltasse algo nele – ou talvez houvesse algo em excesso.

Cerca de um ano depois do lançamento, em julho de 2013, acabei conhecendo um pequeno joguinho de cartas chamado The battle for hill 218. Nele, os dois jogadores vão posicionando cartas de forças armadas na mesa, na tentativa de conquistar determinado território. Muito simples e eficiente.

Por algum motivo, esse jogo me fez pensar que seria possível “simplificar” o Deterrence em uma produção apenas com cartas, mas mantendo a essência do original. A prática já não era novidade. Muitos bons jogos acabaram ganhando versão em cartas, como Puerto Rico (San Juan) e Caylus (Caylus Magna Carta), entre outros. Mas, se o mercado faz essas adaptações para faturar a partir de um título bem vendido, meu propósito era diferente: aperfeiçoar um jogo que não tinha sido bem vendido e fazer uma versão “definitiva”.

Os rascunhos iniciais foram promissores. Mas havia o desafio de deixar todas as construções à mostra na mesa, o que tiraria o mistério, a espionagem e a dedução do original.

A solução principal foi criar um equilíbrio tão delicado entre as forças abertas que se tornasse particularmente difícil controlar todos os movimentos e respostas possíveis, como num jogo de Xadrez.

Apenas com cartas e, portanto, de produção muito barata, o jogo foi aprovado para publicação pela nova Funbox Jogos (hoje Mandala). O designer Lucas Pereira assumiu a supervisão do desenvolvimento e realizou muitos playtests.

Ele e o produtor Luís Francisco Coutinho (que depois faria uma ótima arte para o jogo, partindo de ilustrações de Jay Zhou e Tithy Luadthong) trouxeram à minha mesa, então, um pepino para resolver: a questão da temática do jogo.

Para mim, estava mais ou menos claro que o jogo seria um Deterrence card game. A inspiração temática era muito bem definida. Minha ideia de título (pois é claro que “Deterrence card game” seria bobo) era Deterrence 1962, ou seja, a junção do título original com a especificação do ano que ficou célebre pela crise dos mísseis (embora o jogo não foque nesse evento).

Mas os editores alegaram que a temática já tinha sido usada no Deterrence, tinha competidor imbatível (Twilight Struggle) e talvez não fosse tão atraente, especialmente no Brasil. Sugeriram uma ambientação alternativa, mezzo steampunk mezzo catupiry, em que os mísseis fossem substituídos por mechas gigantes ou algo assim.

Inapto para desenvolver um tema dessa espécie, propus os termos da conciliação. Numa história alternativa (e terrível), a Guerra Fria nunca acabou – em algum século futuro (portanto 2X62: pode ser 2062, 2162, etc.), Estados Unidos e União Soviética ainda existem e exaustivamente ampliam seus arsenais para uma possível guerra nuclear.

A publicação foi enxuta e de muito boa qualidade. As críticas para a edição foram bem positivas, até porque o preço era excelente.

Nos vídeos abaixo, algumas simpáticas resenhas! E também meu próprio vídeo de explicação das regras.

Veja a página do Deterrence 2X62 na Ludopedia.

Veja a página do Deterrence 2X62 no BoardGameGeek.

RESENHAS EM VÍDEO

Esta história começou com a publicação do Deterrence. Clique aqui para saber mais!