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NEWSLETTER DE JULHO – N. 3

Já saiu a newsletter n. 3!  Se você ainda não é assinante gratuito, clique aqui para ler!

Nela você encontra o artigo que escrevi sobre Alan Turing, um gênio para quem todos nós devemos muito!

Inclui também meu microconto “Rotação”.

Veja também na newsletter como concorrer ao livro O médico e o monstro.

Aproveito para informar a ganhadora do livro sorteado pela newsletter do mês passado: é a Maíra Franco Tangerino. Ela precisou de sorte, mas não muita, já que foram poucos os participantes. Pessoal! É um livro gratuito! É fácil participar! Acreditem! :-)

Capa vlog

VLOG – LIVRO O NOBRE DEPUTADO

Neste 1.o vídeo do meu vlog, falo sobre o livro “O nobre deputado: relato chocante (e verdadeiro) de como nasce, cresce e se perpetua um corrupto na política brasilera”, do autor Marlon Reis e publicado pela Editora Leya.

O livro tenta faturar no “mercado da desilusão” e apresenta uma realidade cínica e pessimista. Porém sofre com suas incoerências.

ditadura

O RÉU

Em 1984, numa manhã especialmente severa, a inspetora Ana Lídia recolheu-me à sala da direção junto com dois outros garotos do colégio. Havíamos nos atrasado alguns minutos no retorno do recreio para as salas de aula.

Não me recordo do nome do diretor, um senhor de bigode espesso, mas ele já nos esperava, sentado à sua escrivaninha. Teria 50 anos então? Um menino de 11 não saberia precisar. Morreria alguns anos depois.

Tolerei o sermão com seriedade. Sempre tive um respeito militar pelo poder, mais propriamente pela experiência que os anos esculpem nas pessoas — embora isso não se estenda a uma mera submissão diante da autoridade.

O discurso deve ter durado cerca de cinco minutos. Foi entremeado de silêncios, que sempre podem ser a deixa ou uma nova pausa. Observava seu rosto, mantinha-se a tensão de que voltaria à carga. Não elevou a voz em nenhum momento, mas o sentido todo da repreensão parecia-me exceder bastante a natureza da falta.

Em certo momento, entendi que encerrara. Meus colegas estavam em silêncio, e o diretor não nomeou nenhum de nós em especial para iniciar as explicações. Certamente não percebi que seu último olhar calado, antes de nos mandar assinar o livro negro, era ainda sua tarefa de admoestação. Então comecei a falar.

A voz saiu branda, mas não fui capaz de proferir três palavras. O diretor interrompeu-me, agora sim zangado, instituindo que eu não tinha direito a réplica alguma. Ele parecia sinceramente surpreso por eu ter aberto a boca.

Fiquei paralisado pelo choque de me ver sem direito a defesa. Escutei quieto a prorrogação de impropérios que minha audácia lhe havia concedido. Os outros meninos talvez estivessem aliviados, agora à margem da repressão, sentindo-se menos culpados, menos perigosos.

A inspetora Ana Lídia, que presenciara tudo, demonstrou a meus olhos um certo remorso. Cumpriu burocraticamente a função de nos levar a assinar o temido livro negro.

Eu pensava que sentiria alguma solenidade no coração ao traçar meu nome após a famigerada lista de moleques que eu com muita justiça detestava. Pensava que sentiria uma intensa estranheza ao ser enfileirado com tantos indivíduos de fato reprováveis.

Mas a ditadura de quartinho do nosso diretor havia esfriado minha emoção. Na hora não entendi por quê, mas sei hoje muito bem que o lado “bom” da luta, o lado dos que sentenciavam os travessos, também tinha um vício talvez mais profundo.

Inscrevi o diretor no meu livro negro, esqueci seu nome e tornei-me apaixonado pela plena liberdade de defesa.

Post davigolias

NEWSLETTER DE JUNHO

Já saiu a newsletter n. 2!

Nela você encontra o Prólogo do romance que estou para lançar, A Elite Luggnagg, sobre um cientista brasileiro que descobriu a fórmula para a grande longevidade.

Poderá ler também uma resenha que escrevi sobre o excelente livro Davi e Golias, de Malcolm Gladwell.

Nesta edição, vou sortear o livro Bartleby, o escrivão, de Herman Melville. Abaixo, uma breve reflexão sobre esse romance (não contém spoilers). Para participar, é fácil: leia a newsletter e e poste um comentário aqui abaixo, nesta entrada do blog, dizendo o que achou da edição n. 2! O vencedor receberá o livro em qualquer lugar do Brasil.

Aproveito para informar o ganhador do livro da edição de maio: Rui Xavier, que vai receber PLAY autografado pelo autor Ricardo Silvestrin. Agradeço a todos os participantes! Tentem de novo!

SOBRE BARTLEBY, O ESCRIVÃO

Surpreendente novela da metade do século 19.

É curioso que a atitude de Bartleby comece soando cômica, passe então a parecer visceral e até inspiradora para, no fim, tornar-se triste e miserável.

Personagem delicioso para qualquer caçador de símbolos.

Afinal, quem é Bartleby? Um idiota? Um perfeito homem novo? O gênio único que percebeu a inutilidade de tudo, a vaidade da vida, a indiferença do Universo?

Depois de viver tanto tempo diante de cartas extraviadas (como sugere o narrador no final), ele sentiu fundo a grande falta de sentido?

O próprio narrador é um personagem intrigante, indispensável para a revelação gradual de Bartleby.

Seja como for, uma excelente leitura, considero obrigatória para todos os amantes de literatura.

Post blog

A ARTE DA GUERRA, DE SUN TZU

A arte da guerra, de Sun Tzu, virou um super-livro, ou um metalivro para inspirar todo tipo de subproduto: A arte da guerra “para empresários”, “para atletas”, etc.

Um chamado à competitividade brutal em todas as áreas.

O livro em si, eu parei para conhecê-lo recentemente e, de modo geral, soou bastante óbvio.

A parte mais interessante é o prefácio que veio na minha edição, “A vida de Sun Tzu”, que conta como o célebre guerreiro, ao ser humilhado por um rei que o desafiou a treinar suas mulheres, condenou à morte e executou uma delas – a preferida do rei – porque as meninas não lhe obedeciam.

Mas uma ou outra citação vale a pena. Vou colar abaixo as que mais me agradaram!

“Estimado, respeitado, amado pelos teus, os povos vizinhos virão espontaneamente juntar-se aos estandartes do príncipe que serves, quer para viver sob suas leis, quer simplesmente para obter proteção.”

“Apesar de já teres dado mostras brilhantes de valor, o último revés apagará toda a glória acumulada.”

“Trata bem os prisioneiros, alimenta-os como se fossem teus próprios soldados. Na medida do possível, faz com que se sintam melhor sob tua égide do que em seu próprio campo, ou mesmo em sua pátria.”

“Age de tal forma que todos os que deves comandar estejam persuadidos que teu principal cuidado é preservá-los de toda desgraça.”

“Dominado pela cólera ou pela vingança, um soberano não deve
mobilizar as tropas. Tendo no coração idênticos sentimentos, um general deve evitar o combate. Para ambos, os tempos são nebulosos. Devem aguardar dias serenos para ponderar e tomar decisões.”

“Alguns soldados do reino de Wu faziam a travessia de um rio ao mesmo tempo que soldados inimigos do reino de Yue. Um vento impetuoso soprou e virou os barcos. Todos teriam perecido, se não tivessem se ajudado mutuamente. Eles esqueceram que eram inimigos; ao contrário, agiram como se fossem amigos ternos e sinceros. Eles se ajudaram, como a mão direita coopera com a esquerda.
Recordo esse fato histórico para que entendas que os diferentes destacamentos de teu exército devem se auxiliar mutuamente, mas ainda que é preciso que socorras teus aliados, que socorras inclusive os povos vencidos que necessitarem; pois, se eles se submeteram, é porque não puderam fazer de modo diferente; se o soberano deles te declarou guerra, eles não são culpados. Sê prestativo, chegará a tua vez de ser recompensado.”

LIVRO
NEWSLETTER DE MAIO

Já saiu a newsletter n. 1!

Nela você pode ler um breve conto meu e também a resenha que escrevi sobre o livro Play, de Ricardo Silvestrin.

E esse ótimo autor vai presentear um leitor da newsletter com um exemplar autografado de seu livro! Você receberá o volume em qualquer endereço do Brasil, sem nenhum custo.

Para participar é fácil: leia a newsletter e poste um comentário aqui abaixo, nesta entrada do blog, dizendo o que achou da edição n. 1! :-)

Obrigado e boa sorte!

[Na imagem em destaque, detalhe do cartaz do espetáculo A mulher que ri.]

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PEÇA TRADUZIDA PARA O ESPANHOL

Minha peça O fim de todos os milagres foi selecionada pelo Ministério das Relações Exteriores para integrar a coletânea Teatro Contemporáneo Brasileño.

Veja notícia aqui.

A tradução foi de Carolina Virgüez.

tamanho certo
EXPERIÊNCIAS COM ANIMAIS

Há alguns anos, quando a Eloisa Elena me chamou para escrever sua próxima peça, fiquei muito contente pela oportunidade de trabalhar com ela, com o grande Fernando Alves Pinto e com a querida Yara Novaes.

A mulher que ri tem se apresentado em muitos teatros e festivais, e voltou recentemente para uma temporada de um mês em São Paulo.

Ao revê-la depois de cerca de dois anos, achei curioso ter escrito o trecho abaixo, que veio a calhar para a época da reapresentação.

Hoje em dia, tem gente que acha muita crueldade as experiências feitas com animais. Porque injetam neles substâncias tóxicas, ou realizam amputações brutais.

A mais dura experiência feita com um animal, porém, não provocou nenhuma mágoa física. O pesquisador pegou um casal de pombos, pássaros muito leais e que vivem bem a dois, e os submeteu a separações. A separações cada vez maiores.

O macho, privado por alguns dias de sua fêmea, passou a cortejar uma pomba de outra espécie. Depois de semanas sozinho, sua atenção se voltou para uma triste e imóvel pomba empalhada. Ampliada sua solidão, ele passou a se interessar por uma massa disforme de trapos secos.

No último estágio da desolação, o instinto do pombo abandonado se voltou para o vazio, para a parede plana e indiferente da gaiola.