LIVRO
NEWSLETTER DE MAIO

Já saiu a newsletter n. 1!

Nela você pode ler um breve conto meu e também a resenha que escrevi sobre o livro Play, de Ricardo Silvestrin.

E esse ótimo autor vai presentear um leitor da newsletter com um exemplar autografado de seu livro! Você receberá o volume em qualquer endereço do Brasil, sem nenhum custo.

Para participar é fácil: leia a newsletter e poste um comentário aqui abaixo, nesta entrada do blog, dizendo o que achou da edição n. 1! :-)

Obrigado e boa sorte!

[Na imagem em destaque, detalhe do cartaz do espetáculo A mulher que ri.]

VIVER MENTE & CÉREBRO, 2004

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Matéria publicada na revista Viver – mente & cérebro (licença de “Scientific American”) de setembro de 2004, escrita pela repórter Ana Garcia.

www.vivermentecerebro.com.br

LABIRINTOS DA RAZÃO
O personagem, em sua solidão, se debate por não ser um homem bom

Gregório é um homem atormentado pela razão. Possível retrato de uma geração excessivamente cerebral, ele deixa fluxos e contrafluxos de pensamentos dominar sua vida. Ele pergunta, ele mesmo responde. Com outra pergunta. Submerge em um labirinto de indagações sem fim, em que imperam a lógica e a filosofia. Cada questionamento é uma tentativa de entender a condição humana. Mas ele pensa demais. E as respostas levam a uma humanidade sem saída – afinal, raciocina Gregório, se fôssemos verdadeiramente generosos e corretos, nem precisaríamos pensar nisso. Se a bondade é resultado de uma decisão, já perdeu sua qualidade intrínseca. Como o ser humano sempre calcula seus atos, conclui, não há bondade possível, apenas ações baseadas em equações de custo e benefício. A esmola oferecida ao mendigo nada mais é do que um impulso gerado pela pressão da sociedade em favor do próprio bem-estar moral. Isto é fraternidade?

Rapidamente Gregório conduz a platéia à reflexão e ao mesmo estado vertiginoso de dúvidas em que se encontra. Oferece-nos o momento do qual geralmente procuramos nos afastar: aquele em que saímos da superfície cotidiana e nos dispomos a compreender o mundo para além do que se apresenta aos nossos olhos. Buda, Jesus e Sócrates são algumas das figuras que dialogam com o personagem principal.

O texto de estréia de Paulo Santoro faz da viagem de Gregório para dentro de si mesmo um passeio denso mas agradável, com o qual é fácil se identificar. Segundo o diretor Antunes Filho, o autor será um expoente da dramaturgia em alguns anos. É ver para saber.

[Agradeço à editora-executiva Rose Campos por ter autorizado a publicação da nota nesta página.]

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PEÇA TRADUZIDA PARA O ESPANHOL

Minha peça O fim de todos os milagres foi selecionada pelo Ministério das Relações Exteriores para integrar a coletânea Teatro Contemporáneo Brasileño.

Veja notícia aqui.

A tradução foi de Carolina Virgüez.

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EXPERIÊNCIAS COM ANIMAIS

Há alguns anos, quando a Eloisa Elena me chamou para escrever sua próxima peça, fiquei muito contente pela oportunidade de trabalhar com ela, com o grande Fernando Alves Pinto e com a querida Yara Novaes.

A mulher que ri tem se apresentado em muitos teatros e festivais, e voltou recentemente para uma temporada de um mês em São Paulo.

Ao revê-la depois de cerca de dois anos, achei curioso ter escrito o trecho abaixo, que veio a calhar para a época da reapresentação.

Hoje em dia, tem gente que acha muita crueldade as experiências feitas com animais. Porque injetam neles substâncias tóxicas, ou realizam amputações brutais.

A mais dura experiência feita com um animal, porém, não provocou nenhuma mágoa física. O pesquisador pegou um casal de pombos, pássaros muito leais e que vivem bem a dois, e os submeteu a separações. A separações cada vez maiores.

O macho, privado por alguns dias de sua fêmea, passou a cortejar uma pomba de outra espécie. Depois de semanas sozinho, sua atenção se voltou para uma triste e imóvel pomba empalhada. Ampliada sua solidão, ele passou a se interessar por uma massa disforme de trapos secos.

No último estágio da desolação, o instinto do pombo abandonado se voltou para o vazio, para a parede plana e indiferente da gaiola.